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Casal se apaixona em hospital durante tratamento em Joinville

Segunda-feira, 12 de junho de 2017

Casal se apaixona em hospital durante tratamento em Joinville

Casal se apaixona em hospital durante tratamento em Joinville
'Meu nome é Luciane Martins, tenho 37 anos e aos 21 fui diagnosticada com insuficiência renal crônica. Esta condição deixou a minha vida de ponta cabeça e abalou muitos sonhos, inclusive o término do meu namoro'. Este é o depoimento de uma paciente da Fundação Pró-Rim, de Joinville, que é referência nacional em tratamento e transplantes renais. A partir desse episódio, Luciane ficou dez anos em hemodiálise até ser transplantada. A esperança virou desencanto.

— Minha alegria durou pouco. Doze dias depois do transplante, o rim doado sofreu rejeição e então voltei para a máquina de hemodiálise — lembra.

Mesmo com toda a tristeza, Luciane nunca deixou de acreditar que as coisas pudessem melhorar. Algum tempo depois, recebeu uma nova oportunidade: um novo transplante. Desta vez, correu tudo bem. A condição física, a qualidade de vida e a auto-estima dela melhoraram.

— Mesmo assim, embora jovem, tomei a decisão de deixar de lado a vida sentimental, não criar expectativas e me dedicar principalmente aos cuidados com a saúde — conta.

Durante uma avaliação pós-transplante, Luciane conheceu Leandro de Lázaro, também paciente renal. Ele havia sido transplantado um ano antes dela e estava no ambulatório pelo mesmo motivo que Luciane: fazer os exames de manutenção.

— Já havia visto o Leandro algumas vezes na Pró-Rim, mas nunca tinha conversado com ele — diz.

Luciane percebeu que algo incomodava o Leandro naquele dia. Ele se queixou de dor de cabeça, então ela abriu a bolsa e lhe ofereceu um analgésico. Foi assim que a conversa começou e ambos perceberam que passavam por situações parecidas. Ele então revelou que, entre outras decepções, a doença também tinha provocado o fim do casamento.

Por conta da insuficiência renal crônica, Leandro estava aposentado e morava em Joaçaba (SC) com a irmã. Ele havia trabalhado boa parte da vida em um grande frigorífico da região. Já Luciane residia com os pais em Itaiópolis, no Norte do Estado.

Encontros nas consultas e unidos no mesmo tratamento

Luciane recorda que a doença os aproximou ainda mais e a afinidade entre eles aumentou, mas o relacionamento permaneceu apenas no campo da amizade.

— Certo dia, Leandro se ofereceu para me dar uma carona até Joinville, na consulta seguinte, que aconteceria nos próximos dias. Aceitei, pois a minha casa ficava no caminho para a Fundação Pró-Rim. No entanto, não acreditei muito, pois ele nem perguntou o meu endereço. Então, tirou um pedaço de papel do bolso e mostrou o número do meu telefone que ele copiou da minha ficha, que estava no balcão de atendimento.

No dia marcado, segundo Luciane, o telefone tocou e em poucos minutos o rapaz chegou em sua casa. Surpreendentemente, logo foi pedindo permissão aos seus pais para viajarem juntos.

— Confesso que pela primeira vez prestei atenção no cavalheirismo dele e na maneira carinhosa como me tratava. Conversamos o dia inteiro e me senti muito bem ao seu lado. Descobri uma pessoa alegre, generosa e com muita vontade de viver — lembra Luciane.

O casal namorava fazia pouco tempo até que um dia Leandro fez uma surpresa: triou do bolso um estojo e mostrou um par de alianças, me pedindo em noivado, na presença dos pais de Luciane. Quando questionado pela namorada se não era cedo demais, respondeu: `Tempo é a única coisa que eu não tenho na vida¿.

— Na semana seguinte, alugamos uma casa em Itaiópolis e fomos morar juntos. O que sinto pelo Leandro é algo maior que amor. É também cumplicidade, companheirismo, carinho e uma vontade imensurável de viver. Estamos juntos há cinco anos e tenho a impressão de que sempre o conheci. Ele vive para me fazer feliz e eu também sinto necessidade de retribuir tanto amor — relembra Luciane.

Para o futuro, o cssal diz não ter grandes ambições na vida, quer apenas a felicidade. Para 2018 estão planejando a oficialização do casamento, com direito a uma festa bonita para a família e amigos.

— O mais importante de tudo, porém, é a possibilidade de eu engravidar. Quem me convenceu disso foi o Dr. José Aluísio, fundador da Pró-Rim — conta emocionada.

O médico diz que muitas pacientes foram mães depois de transplantadas e que Luciane e Leandro podem acreditar nisso.

Hoje, Luciane mantém uma rotina ativa e muito produtiva.

— Criei uma pequena empresa que prepara alimentos para eventos e o Leandro me ajuda muito — diz.

— Mesmo diante das dificuldades que passei me considero feliz com a vida conquistada. Somos um casal como qualquer outro, com seus problemas e alegrias. O que nos faz diferentes é a necessidade que temos de um cuidar do outro, o tempo inteiro, incondicionalmente — acrescenta.  

Diário Catarinense
 


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